Hoje pela manha acordei animada para continuar arrumando a casa, brincar com o Caique e continuar as pesquisas sobre a nova cidade, tinha tudo para ser uma sexta feira tranqüila.
Tomamos o café da manha arrumamos algumas coisas brincamos preparei nosso almoco, em seguida subimos ao segundo piso para fazê-lo dormir, porém como tudo era novidade em função da mudança ele ficou pulando de um canto a outro brincando conversando, estava um dia muito agradável ate que as 14:45 o telefone toca como era o Cris logo atendi.
- Aí esta tremendo, disse ele com voz assustada.
- Não. Eu respondi
Ao responder logo sinto um soco vindo de baixo para cima e começou a tremer forte.
Somente tive tempo de perguntar.
- Esta tremendo forte o que faço?
E a ligação caiu, o guri veio para perto de mim com muito medo, percebi de imediato que não se tratava de um terremoto comum, comecei a tremer quase chorar e muito desesperada sem saber o que fazer, a única coisa que se passava pela minha cabeça era em proteger o meu filho.
Estávamos no quarto do Caique onde tinha um armário alto, como havíamos acabado de nos mudar não tínhamos prendido a parede, este começou a bater forte contra parede e as gavetas começaram a abrir, um barulho terrível de portas e madeiras batendo.
Quando finalmente parou de tremer peguei o Caique no colo e descemos as escadas com cuidado e ao mesmo tempo rápido pois imaginei que viria um próximo tremor, peguei a bolsa que estava na porta e mesmo com as pernas bambas decidi ir para uma praça que ficava próximo de casa.
Perto da praça vi um muro de uma das casas caído, varias pessoas nas ruas olhando apavoradas.

Estava sem sinal de celular por isso não consegui falar com o Cris e avisar que estávamos bem, mesmo apesar do frio ficamos em segurança no meio da praça e sem saber a proporção do terremoto, depois de algum tempo começa a tremer novamente não tão forte quanto o primeiro mais muito assustador, eu procurava ficar calma para não assustar ainda mais o guri.
Depois de algumas horas consegui o primeiro contato com o Cris via Facebook pois nada mais funcionava, fiquei aliviada, soube que havia pego emprestada a bicicleta do meu Irmao pois os trens estavam parados, somente depois soube por ele que as pessoas voltaram a pe ou de bicicleta para suas casas, estava um caos.
Já eram 17:30 quando finalmente voltamos para casa, o Cris chegou 1 hora depois, só então vimos na tv a verdadeira proporção do terremoto que foi seguido de tsunami e depois por explosão de usina nuclear.
Procuramos ficar o sábado e o domingo em casa, o Cris saiu para colocar combustível no carro sendo que alguns postos estavam fechados e os que estavam abertos somente vendiam 20 litros por carro que depois se reduziu a 10 litros, nos supermercados começou a faltar água, pães, e alguns alimentos não perecíveis, foi quando decidimos ir para Mie-ken e em seguida para a Austrália. Fiz as malas as pressas peguei os documentos necessários e saímos de Chiba em direção ao Sul.
Depois de uma semana decidimos ir para Austrália pelo guri pois sem definição do que iria acontecer com a usina não daria para arriscar.
O Cris iria ficar, depois de 1 semana após a tragédia eu estava na Austrália e ele em Chiba.
Ficamos 1 mês e meio separados.